03/08/2010

ARTIGO TÉCNICO SOBRE PAVIMENTO DE CONCRETO

artigo técnico sobre pavimento de concreto. Favor informar a Nacional antes de divulgar.


O AVANÇO DO PAVIMENTO DE CONCRETO NO BRASIL

Autores: Eng.º Ronaldo Vizzoni (1), Eng.º Marcos Dutra de Carvalho(2)

1.        BREVE HISTÓRICO

As rodovias, responsáveis pela modalidade de transporte mais utilizada no Brasil, uma vez que por elas são feitas a movimentação de 95% das pessoas e de 60% das cargas transportadas, compuseram um dos segmentos da infraestrutura de transportes mais afetados negativamente, pelas acomodações sucessivas da economia em face das crises financeiras internacionais dos últimos anos. Pode-se afirmar que algo semelhante ocorreu em toda a infraestrutura logística nacional.

Deteriorou-se a infraestrutura de transportes como um todo,  principalmente a rodoviária, devido a falta de investimentos ao longo dos anos, da precariedade ou ausência de conservação da malha pavimentada, e principalmente pelo uso, quase que exclusivo, do pavimento flexível como solução única e tradicional em todas as situações de tráfego. Além disso a pavimentação asfáltica foi considerada, até pouco tempo e erroneamente, de baixo custo inicial, quando na verdade sempre demandou elevado custo de manutenção.

A paixão dos brasileiros pelo automóvel vem desde o início do século passado, com a chegada dos primeiros automóveis no Brasil em 1916. Em 1918, o país já possuía 5.000 veículos e péssimas estradas. Em 1919, a Ford instala sua primeira fábrica de automóveis no Brasil.

Em 1922, quando das comemorações do centenário da independência, o marco fundamental na história dos transportes e do crescimento econômico do Brasil foi a pavimentação, com concreto de cimento portland, do trecho em declive da "Estrada Caminho do Mar", a primeira estrada construída com concreto na América do Sul e uma das primeiras do mundo, ligando a principal cidade brasileira, São Paulo, ao maior porto da América do Sul.

(1)        Eng.º Ronaldo Vizzoni – Gerente Nacional de Infraestrutura da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

(2)        Eng.º Marcos Dutra de Carvalho – Líder Especialista em Pavimentação da Associação Brasileira de Cimento Portland

Nos anos seguintes, o pavimento de concreto de cimento portland, ou simplesmente pavimento de concreto, ganhou espaço sobre os pavimentos asfálticos amplamente usados até então e, em 1936, foi fundada a Associação Brasileira de Cimento Portland – ABCP - com o objetivo precípuo de desenvolver o pavimento de concreto no Brasil. O trecho da rodovia BR 040 conhecido como Serra de Petrópolis, no Rio de Janeiro, recebeu o pavimento de concreto, assim como a principal estrada do país ate os dias de hoje, a  rodovia Rio-São Paulo (Via Dutra), também teve seu leito pavimentado com concreto, em 1937.

Em 1947, logo após a Segunda Guerra Mundial, com uma economia fortalecida, o país dá novos passos em direção à industrialização. No Estado de São Paulo, o mais importante do País, a rodovia Anchieta, pavimentada com concreto, é inaugurada para substituir o já saturado Caminho do Mar e permite o crescimento acelerado da região do ABC, berço de uma nova classe operária e do crescimento da indústria do país. Nessa época, a rodovia Anhanguera também foi pavimentada com concreto, construída para transportar as riquezas do interior de São Paulo. Todas essas rodovias foram marcos do desenvolvimento rodoviário brasileiro, da formação de uma idéia de progresso e desenvolvimento, da formação do país do futuro e do uso do concreto na pavimentação de estradas de rodagem. Diversos pavimentos de concreto foram construídos nessa década, particularmente no Estado de  Pernambuco, no nordeste brasileiro, cuja capital Recife, continua sendo até hoje a capital do pavimento rígido.

Na mesma época, a maioria das pistas dos aeroportos brasileiros, como em todo o mundo, era de terra. Um fato relevante foi a entrada em operação dos aviões DC3, versão civil do C47 militar, no fim da 2ª guerra mundial. As primeiras pistas militares e civis dos principais aeroportos brasileiros foram implantadas em concreto. De todos os aeroportos que tiveram suas pistas pavimentadas com concreto, apenas o Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim (Galeão), na cidade do Rio de Janeiro, permanece com sua pista original de concreto, em operação há mais de 30 anos, sem qualquer ocorrência de acidente registrada ao longo desse período.

Igualmente importantes são os pavimentos urbanos executados com concreto, nas principais cidades brasileiras, alguns em uso há mais de 50 anos, praticamente sem qualquer manutenção.

2.        O PROJETO "PAVIMENTO DE CONCRETO"

O projeto nacional denominado "Pavimento de Concreto", criado pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), em 1996, teve como objetivo principal, aumentar a participação do concreto, na malha nacional através de ações gerais ou institucionais e ações específicas.

As causas históricas da não utilização em larga escala de pavimentos de concreto no Brasil, até a elaboração do Projeto Pavimentos de Concreto, podem ser resumidas conforme descrito a seguir.

·        Produção de cimento, voltada a outros tipos de obras de infraestrutura.

·        Baixos preços de petróleo e derivados, subsidiados internamente.

·        Desenvolvimento rápido e acentuado de técnicas de pavimentação asfáltica, principalmente após a 2ª Guerra Mundial.

·        Formação de pessoal e disponibilidade de equipamentos ligados ao ramo de pavimentos asfálticos.

·        Construção de rodovias ditas de penetração, ou seja, dentro do conceito de grande extensão e de baixa qualidade.

·        Falta de continuidade das obras, trazendo aos construtores o receio em investir em equipamentos para pavimentos de concreto.

·        Imediatismo político, comprometendo a qualidade de construção e conseqüentemente a ocorrência de serviços de conservação permanentes.

·        Preços oficiais "desatualizados", sem considerar os avanços tecnológicos no campo dos pavimentos de concreto.

·        Falta de estudos de viabilidade técnica e econômica.

·        Acomodação por desconhecimento do usuário (exemplo: o emprego da palavra "asfaltar" como sinônimo de "pavimentar").

·        Objeções ao emprego do pavimento de concreto, guiadas por três posturas: desconhecimento técnico, comodismo e imediatismo. As objeções mais recorrentes referiam-se ao custo inicial de construção, à falta de experiência do meio técnico, à dificuldade de execução e à falta de equipamentos e tecnologia.

As primeiras ações promovidas para reintroduzir o pavimento de concreto, concentraram-se na confecção de planilhas de custos regionalizadas, com várias opções de seções, a divulgação adequada da tecnologia, a demonstração de técnicas modernas de construção e a ação direta sobre construtores e fornecedores.

A evolução dessas ações dependia ainda de um esforço acentuado, envolvendo o conhecimento dos planos viários, a formação de banco de dados e a avaliação das oportunidades reais e factíveis, de modo a evitar dispersão de forças, bem como a Identificação de ações específicas para diminuir o custo inicial de construção dos pavimentos de concreto, sem perda de qualidade.

A análise de mercado mostrou a necessidade de aperfeiçoamento e aprofundamento da normalização existente, ampliação dos estudos sobre técnicas de projeto e de execução, bem como de tecnologia de materiais, pesquisando e incentivando o emprego de Whitetopping, Overlay e Fast track (concretos de liberação rápida ao tráfego), por exemplo.

O projeto executivo detalhado dos pavimentos de concreto, com espessuras e itens de construção otimizados, sem redução da qualidade e da durabilidade, também foi detectado como item que permitiria o avanço da técnica e, em conseqüência disso, o aumento do emprego dos pavimentos de concreto no Brasil.

A associação do pavimento de concreto à gestão ambiental foi e continua sendo um ponto forte de convencimento técnico, já que ele não polui, não tem periculosidade e agrega valor a subprodutos. A contribuição ambiental se dá pela incorporação de resíduos ou sub-produtos industriais à fabricação do cimento, como as escórias de alto-forno e as cinzas volantes provenientes das usinas termelétricas, reduzindo assim o fator clínquer do cimento e a emissão de CO2 na atmosfera. No co-processamento, a contribuição se dá pela destruição térmica, nos fornos de cimento, de resíduos industriais indesejáveis, como pneus inservíveis, óleos usados, solventes e graxas, sem prejudicar a qualidade final do produto, substituindo e economizando combustíveis. Igualmente importante é o fato de que o concreto consome menos energia térmica em sua fabricação (a frio) que o asfalto. Não bastasse tudo isso, a durabilidade do pavimento de concreto é aspecto fundamental para a sustentabilidade da solução.

Estabelecidas as bases e metas do trabalho a ser desenvolvido pelo Projeto Pavimentos de Concreto, o passo seguinte foi a produção de "ferramentas", que hoje alimenta e estimula as atividades de promoção técnica, divulgação e busca de oportunidade de negócios. Essas "ferramentas" de variadas formas, resumidas e sumariamente mencionadas a seguir.

1.        Manual da Qualidade: Incorpora os conhecimentos e experiências adquiridos, fornecendo procedimentos de controle tecnológico e assistência técnica à construção de pavimentos de concreto, dentro de conceitos de Sistema da Qualidade/ISO 9000.

2.        Curso Intensivo de Pavimentos Rígidos: Curso clássico de tecnologia dos pavimentos de concreto, destinados aos profissionais do meio técnico e universitário, e que dá informações básicas sobre projeto, materiais, construção e controle de pavimentos de concreto, com adaptações e melhorias constantes.

3.        Curso de Formação Técnica Universitária: Dá conhecimentos gerais do pavimento de concreto em todas as suas etapas, para ser apresentado em escolas técnicas e de engenharia.  

       

4.        Palestra Promocional: Dá informações atualizadas permanentemente sobre pavimentos de concreto, mostrando características, histórico, evolução de técnicas de execução e banco de dados das obras executadas.

5.        Curso de execução: Promove a formação de engenheiros de campo, tecnologistas, encarregados e operadores de máquinas, com foco na execução de pavimento de concreto.

6.        Estudos técnicos e econômicos: Fornece o estudo técnico e econômico comparado de pavimentos, que possibilita determinar seu desempenho técnico e econômico ao longo de um período de análise.

7.        Práticas Recomendadas: Fascículos técnicos com recomendações sobre cada um dos tópicos relevantes do procedimento de concepção e construção dos pavimentos de concreto. O fascículo n.º 5, conhecido como "Os 10 Mandamento do Pavimento Rígido", recebeu tradução para o espanhol, de modo a atender necessidades de países da América Latina.

8.        Folhetos e Catálogos Técnicos e Promocionais: Apresentam as principais características, vantagens e aplicações dos pavimentos de concreto, sempre atualizados, incluindo mídias modernas de divulgação.

9.        Curso de Avaliação Econômica e Financeira de Pavimentos: Avalia o equilíbrio técnico, econômico, social e financeiro de alternativas de pavimentos, voltado para Concessionárias de Rodovias, Órgãos Públicos, Bancos de fomento, Entidades Financeiras e Empresas de Consultoria.

10.        Curso de Engenharia de Valor para Rodovias: Capacita profissionais para realização de estudos de Engenharia de Valor em rodovias, para melhorar a qualidade e a segurança dos projetos, além de reduzir os custos das obras.

11.        Curso Básico de Concreto Rolado para Pavimentação: Fornece informações atuais sobre esse ramo de pavimentação, desde as características tecnológicas básicas do concreto rolado até a construção e o controle tecnológico, tratando ainda da dosagem do produto, das diretrizes dos projeto e do dimensionamento do pavimento.

12.        Curso de Solo-Cimento para Pavimentação: Traz informações sobre esse ramo de pavimentação com cimento, reavivando essa técnica já intensamente empregada no país.

13.        Curso de Formação Avançada de Projetistas: Traz informações aprofundadas sobre histórico, fundamentos teóricos do cálculo estrutural, dimensionamento, análise mecanicista, materiais, projeto executivo, avaliação estrutural e funcional e análise econômica de pavimentos de concreto, incluindo o emprego de programas de retroanálise por computador pelo método dos Elementos Finitos.

14.        Curso Especial de Pavimento de Concreto: Realizado antes do início das grandes obras, através de convênios específicos com os Órgãos Públicos, traz informações sobre a conceituação do projeto, os procedimentos de execução e controle de obra, tecnologia dos materiais, a irregularidade longitudinal e o conforto de rolamento, além dos principais cuidados para a garantia da qualidade da obra em questão.

15.        Presença e Conferências em Congressos e Feiras: Participação com estandes e palestras sobre o tema em congressos no País e no Exterior, ao longo desse período.

16.        Plano de Comunicação com ênfase na imprensa: Geração de artigos, encontros com jornalistas, anúncios em revistas para relembrar e fortalecer a cultura do uso dessa tecnologia, além de, material impresso voltado para motoristas de caminhões e ônibus, mostrando em linguagem simples, as vantagens econômicas e de segurança quando se trafega no pavimento de concreto.

Os primeiros resultados importantes decorrentes das ações específicas  foram os descritos a seguir:

1º Resultado: Geração de mão-de-obra especializada na operação de equipamentos de grande porte e na execução de pavimentos de alto desempenho.

Ações específicas:

A pequena experiência no uso de equipamentos desse tipo embasava-se nas poucas obras realizadas: havia duas pavimentadoras de formas deslizantes, empregadas em obras anteriores, (Aeroporto de Confins, em Minas Gerais, e rodovia Pedro Taques, em São Paulo). Essas pavimentadoras foram "esquecidas" pelas empresas proprietárias. Uma delas acabou sendo recuperada pela ABCP e utilizada com sucesso na pavimentação de duas rodovias (rodovia Castello Branco e em túneis do Rodoanel Mário Covas), equipamento que vem sendo usado até os dias de hoje em outras obras. Assim, em vista da inexistência de um parque nacional de equipamentos adequados à execução dos pavimentos de concreto, no final da década de 90 a indústria de cimento aprovou a compra de cinco pavimentadoras de formas deslizantes, de alto desempenho, seis usinas dosadoras e misturadoras de concreto, de grande porte, quatro texturizadoras e aplicadoras de produto de cura química, e um perfilógrafo tipo Califórnia. A decisão da compra baseou-se em estudos que mostravam a ocorrência de um circulo vicioso: "não se compram máquinas porque não há obras de pavimentação de concreto e, como conseqüência, não há pavimentos de concretos porque não há máquinas adequadas". Todo esse equipamento foi entregue a ABCP para gerenciamento de suas aplicações em importantes obras nacionais.

Estabeleceu-se então um programa de treinamento intensivo, que resultou na existência hoje de prestadoras de serviço qualificadas e empresas construtoras, com equipamento próprio. Hoje três dos principais fabricantes mundiais (Gomaco, Wirtgen e TEREX/CMI) encontram-se instalados no Brasil, interessados e envolvidos nesse mercado.

A ABCP constituiu uma equipe interna (Gestão de Equipamentos e Obras - GEO) especializada na operação, manutenção preventiva e corretiva, administração, fiscalização e guarda dos equipamentos, e na transferência da tecnologia associada a essas técnicas. Foram produzidos Manuais de Operação de cada equipamento: Manuais de Manutenção e Auditoria, Controle de Qualidade da Execução, Controle de Qualidade do Concreto e Controle de Qualidade Superficial do Produto Acabado. Esse trabalho só foi possível graças aos conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, somado aos recursos humanos e tecnológicos dos laboratórios e aos profissionais especializados em pavimentos de concreto da ABCP.

·        2º Resultado: Desenvolvimento tecnológico de materiais

Ações específicas:

Um fato marcante foi a detecção e a comprovação em obras diversas, da impropriedade do uso em pavimentos de concreto de alguns dos produtos de cura química existentes no mercado nacional. Por ação direta da ABCP os fabricantes foram alertados do problema, instados a corrigi-los e adequá-los, o que foi feito rapidamente e, em ensaios periódicos realizados no laboratório da ABCP, verificada a manutenção do alto padrão desejado. O ensaio foi desenvolvido pelos mesmos laboratórios e normalizado nacionalmente. Mencione-se, também, o interesse efetivo despertado nessas empresas e em outras fabricantes no emprego de produtos compostos com matérias-primas brasileiras, sem o ônus da importação. O País passou de importador para exportador desses produtos.

O mesmo se deu com os produtos selantes de junta, hoje de qualidade comprovada, incluindo selantes pré-moldados à base de material desenvolvido e fabricado no País.

Outros setores importantes juntaram-se ao processo, dando origem à melhoria dos aditivos usados em concretos de pavimentos e adequando o fornecimento de aço pronto para emprego nesse tipo de pavimentação.

Ressalte-se a compra e uso de estações meteorológicas móveis, colocadas junto às usinas de concreto, possibilitando o controle estrito das operações de concretagem quanto à variação das condições ambientais.

·        3º Resultado: Consolidação de parcerias estratégicas

    Ações específicas:

Dentro do conceito associativo de alianças estratégicas, estreitou-se a aproximação com entidades como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Desenvolvimento Rodoviário S.A. (DERSA), Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (INFRAERO), Exército Brasileiro/Ministério da Defesa, Agência de Transporte do Estado de São Paulo (ARTESP), Associação Brasileira de Pavimentação (ABPv), Associação Nacional de Infraestrutura de Transportes (ANDIT), Associação Brasileira dos Departamentos de Estradas de Rodagem (ABDER), Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Associação Brasileira de Empresas de Obras Rodoviárias (ANEOR), Associação Nacional de Pesquisadores em Engenharia de Transportes (ANPET), Secretaria Nacional de Portos, Secretarias Estaduais e Municipais de Obras, Confederação Nacional de Transportes (CNT) e similares.

Na divulgação extensa da tecnologia do pavimento de concreto participou-se ativamente, com estandes e apresentação de trabalhos, de todos os eventos técnicos nacionais e regionais pertinentes ao assunto.

·        4º resultado: Identificação das oportunidades:

Ações específicas:

Iniciou-se com o levantamento e a análise sistemática dos dados completos sobre todas as possibilidades de obras de pavimentação federais, estaduais e municipais, tanto rodoviárias quanto urbanas, portuárias e aeroportuárias, periodicamente atualizadas.

A seleção das prioridades de ação por parte das Regionais da ABCP deu-se pela estruturação de um Plano de Ação – PA, para diminuir ou remover as principais dificuldades identificadas para a adoção em grande escala da solução "concreto", principalmente pela análise da competitividade técnica e econômica dos diferentes tipos de pavimentos, de forma comparada, levando-se em conta, além disso, o Orçamento Geral da União, dos Estados e dos Municípios.

O monitoramento do mercado é parte integrante do PA, sob a forma de análise local de competitividade e pelo acompanhamento pontual, mas sistêmico e atento, de ações da concorrência, buscando antecipá-las e, sempre que possível, neutralizá-las. Para isso, as ferramentas aqui mencionadas e seu público de destino são alvo de intensa pró-atividade, inclusive com base em um Plano de Comunicação que envolve assessoria de Iimprensa, folheteria e vídeos.

O Projeto Pavimentos de Concreto baseou-se em uma análise extensa da questão: "por que não eram empregados no Brasil, em escala significativa, os pavimentos de concreto?".

Partindo de uma visão histórica do assunto, verificaram-se os pontos fortes e fracos do sistema, incluindo aspectos tanto objetivos quanto subjetivos envolvidos no processo de decisão.

Compôs-se, então, um Plano de Ação amplo, que permitiu concentrar as atividades e dirigi-las, de modo a remover, diminuir e superar todos os entraves identificados.

Os pontos mais relevantes desse Plano de Ação, desde sua formulação básica até os resultados efetivos já alcançados, estão aqui relatados.

Pode-se afirmar que, fruto desse trabalho e do aproveitamento inteligente de fatos circunstanciais marcantes, pôde-se definir as forças positivas a favor do uso de pavimentos de concreto no País, congregá-las e agir de modo a fortalecê-las e a ressaltá-las junto ao meio técnico e à sociedade.

Essas forças positivas podem ser resumidas assim:

·        A penúria da qualidade da rede rodoviária, com a baixa durabilidade associada, foi item de destaque que, de certa maneira, "prepara" o terreno para as medidas do Plano de Ação.

·        Os valores atuais e a tendência de alta dos preços do petróleo modificaram significativamente a estrutura de custos de pavimentação, o que vem sendo devidamente aproveitado por ferramentas específicas do Plano de Ação.

·        As crescentes e restritivas exigências de proteção e gestão ambiental começaram, principalmente por esforços de divulgação da ABCP, a ser entendidas pelos planejadores como um ponto forte da opção dos pavimentos cimentados em geral.

·        Resultado de esforços dirigidos nessa área, os estudos econômicos de viabilidade passaram a fazer parte das ações de planejamento dos órgãos públicos.

·        Despertou-se o interesse efetivo de construtores e fornecedores em geral nesse mercado. Atualmente temos em operação no Brasil vinte (20) equipamentos (vibroacabadoras de fôrmas deslizantes) de grande e médio porte, sendo 15 deles de propriedade das Construtoras.

·        O processo de concessões rodoviárias, a médio e longo prazo, será um campo vasto de uso e desenvolvimento do pavimento de concreto no Brasil.

3.        RESULTADOS OBTIDOS

São significativos os resultados obtidos na pavimentação em concreto no Brasil, ao longo dos últimos 15 anos, podendo-se mencionar diversas obras de vulto, já executadas e em execução, como a rodovia BR 101 NE, o Rodoanel Mário Covas/SP, a Rodovia dos Imigrantes/SP, a Via Dutra/SP, as Marginais da Castello Branco/SP, a MT – 130/MT, a BR–232/PE, a BR–290/RS, a Serra de São Vicente (BR 163/364/MT), a Rodovia RS 118/RS, a Perimetral de Porto Alegre/RS, diversos corredores urbanos de ônibus, para citar as mais importantes.

Atualmente estão licitadas, em fase de início de construção, ou em fase de projeto e de licitação, diversas obras de pavimentação de concreto no país, como a BR 101 NE (Alagoas, Sergipe e Bahia), o Rodoanel Mario Covas/SP - Trechos Leste e Norte, a BR 050/MG, o Anel Viário Interno de Belo Horizonte/MG, o Anel Viário Externo de Belo Horizonte/MG, a BR 381/MG, a MG 424/MG, a Serra de Nobres       (BR 163/MT), a BR 222/CE, a BR 020/CE, a BR 392/RS, Marginal Sul da Via Dutra /SP, a Serra do Cafezal (BR 116/SP), Corredores Urbanos de Ônibus, dentre outras.

A grande quantidade de obras realizadas resultou no lançamento de um livro de arte chamado "Governar é Abrir Estradas – O concreto pavimentando os caminhos na formação de um novo país", contendo fotos e informações das obras de pavimentação de concreto no Brasil.

Como fato relevante no crescimento do uso do Pavimento de Concreto no Brasil, cita-se a execução de importante obra pelo Exército Brasileiro, a duplicação da rodovia BR 101 NE, com excepcional qualidade e conforto de rolamento, quebrando todos os paradigmas quanto às dificuldades propaladas dessa técnica de pavimentação.

O Exército Brasileiro procurou a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) para formar uma parceria estratégica, com o objetivo de transferir tecnologia e treinar as tropas para a execução dessas obras. O resultado dessa parceria foi a confecção e a realização de um curso completo de execução e de controle de obra, com duração de duas semanas, abrangendo todas as etapas, incluindo também treinamentos práticos, além da realização de uma pista escola. Só depois de devidamente treinados, e aprovados pelo Alto Comando Militar, os soldados foram para o trecho real a ser executado.

O resultado dessa parceria gerou um produto de alta qualidade, além de permitir o desenvolvimento de diversos novos procedimentos de obra.

A título de exemplo, as Figuras 1 a 9 ilustram as principais obras executadas no país nos últimos anos.

Figura 1 - Via Dutra

Figura 2 - Rodoanel Mário Covas – Trecho Oeste

Figura 3 - Rodovia Castello Branco

Figura 4 - Rodovia dos Imigrantes

Figura 5 - Rodovia BR 232

Figura 6 - BR 290 – whitetopping

Figura 7 – BR 163/364 - Serra de São Vicente – whitetopping

Figura 8 – BR 101 NE - duplicação

Figura 9 - Rodoanel Mário Covas – Trecho Sul

4.        O FUTURO

Seguir consolidando e ampliando o emprego do pavimento de concreto no nosso país, descrevem-se a seguir as principais ações futuras do Projeto Pavimento de Concreto, da ABCP.

·        Monitoramento do mercado e identificação de novas oportunidades.

·        Atualização e aperfeiçoamento técnico por meio de intercâmbio internacional (visitas e presenças em congressos internacionais).

·        Desenvolvimento de pesquisas aplicadas.

·        Atualização constante das ferramentas técnicas e promocionais.

·        Atuação intensa junto aos diversos modais de transportes brasileiros.

·        Melhoraria dos programas de definição de alternativas de pavimentação.

·        Atualização constante das Normas e Procedimentos do Pavimento de Concreto.

·        Prestação de assessoria e consultoria técnica.

·        Elaboração de artigos e trabalhos técnicos.

·        Busca incessante pela qualidade das futuras obras.

·        Treinamento e transferência de tecnologia para o mercado técnico e universitário.

·        Fortalecimento das parcerias já constituídas, particularmente com o Exército Brasileiro.

·        Convênios e Termos de Cooperação Técnica com Órgãos Públicos.

5.             BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

·        Pavimento de concreto, um moderno Ovo de Colombo (Márcio Rocha Pitta).

·        Pavimento de Concreto – Reduzindo o custo social (Marcos Dutra de Carvalho).
·        "Governar é abrir estradas" – (JourneyCom Publicidade e Propaganda Ltda).
·        A memória da pavimentação no Brasil (Atahualpa da Silva Prego, ABPv)


                                                                           São Paulo, abril de 2010

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